FAPEG participa de projeto que fortalece a agricultura familiar no Semiárido brasileiro
- Fapeg

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Iniciativa coordenada pela Embrapa foi lançada nesta quinta-feira (12) em Paulo Afonso (BA) e beneficia produtores de quatro estados da região do Rio São Francisco.
A Fundação de Apoio à Pesquisa e Desenvolvimento Edmundo Gastal (FAPEG) participou do evento que marca o início da segunda fase do Projeto Lagos do São Francisco, ação voltada ao fortalecimento da agricultura familiar, da pecuária e da preservação ambiental em municípios do Semiárido brasileiro. O lançamento da nova etapa ocorreu nesta quinta-feira (12), em Paulo Afonso (BA), reunindo representantes de instituições de pesquisa, empresas do setor energético e lideranças regionais.
Executado pela Embrapa Semiárido com financiamento da empresa de energia renovável AXIA Energia (em continuidade a iniciativas anteriormente apoiadas pela Eletrobras), o projeto prevê investimento de R$ 2,4 milhões ao longo de 36 meses. A nova etapa deve beneficiar cerca de 2.600 pessoas, direta ou indiretamente, em municípios da Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, por meio de ações de capacitação, transferência de tecnologia e apoio à produção agropecuária.
Entre as atividades previstas estão a implantação de hortas comunitárias, o fortalecimento da fruticultura, a criação de galináceos, sistemas de produção pecuária e cursos voltados ao beneficiamento de leite e frutas. O projeto também inclui ações ambientais, como recuperação de nascentes, reflorestamento de matas ciliares e práticas de conservação do solo e uso racional da água.
Para a diretora de sustentabilidade da AXIA Energia, Mônica Massotti, iniciativas desse tipo estão alinhadas à estratégia de investimento social da empresa. “Propostas voltadas à capacitação geram impactos concretos nas comunidades, ampliam a geração de renda e fortalecem os territórios onde nossos ativos estão presentes”, afirma.
Um dos pilares do projeto são os Campos de Aprendizagem Tecnológica (CATs), espaços de formação prática implantados nas propriedades rurais para demonstrar soluções produtivas adaptadas às condições do Semiárido. Nesses locais, os produtores têm acesso a tecnologias já desenvolvidas pela pesquisa agropecuária e recebem acompanhamento técnico para sua aplicação nas propriedades.
Segundo o pesquisador da Embrapa Semiárido e coordenador do projeto, Rebert Coelho Correia, um dos principais desafios enfrentados pelos produtores da região está relacionado ao uso inadequado da água de irrigação, que pode comprometer a qualidade do solo ao longo do tempo. Por isso, o projeto busca incentivar práticas mais eficientes, como sistemas de irrigação por gotejamento e o uso de variedades agrícolas mais adaptadas às condições climáticas da região.
Entre as tecnologias levadas aos agricultores estão novas variedades de frutas e materiais forrageiros mais resistentes ao estresse hídrico, além de cultivares desenvolvidas para enfrentar pragas e doenças. Os exemplos citados pelo pesquisador incluem a goiaba Guaraçá, tolerante a nematóides, variedades de bananas mais adaptadas ao Semiárido e materiais de palma resistentes à praga conhecida como cochonilha do carmim, importante para a alimentação animal na região.
“O objetivo é aproximar o produtor das tecnologias já desenvolvidas pela pesquisa. Muitas vezes esse conhecimento fica restrito aos centros experimentais. Quando o agricultor vê funcionando na prática, a adoção acontece naturalmente e os resultados aparecem na renda e na produtividade”, explica o pesquisador.
Resultados da Fase I
A primeira etapa do Projeto Lagos do São Francisco foi realizada entre 2019 e 2024, atendendo diretamente 508 produtores rurais e envolvendo mais de 5 mil participantes em atividades de capacitação. Nesse período, o projeto promoveu melhorias em sistemas produtivos, práticas ambientais e organização comunitária nas propriedades atendidas.
Uma avaliação baseada na metodologia internacional SROI (Retorno Social sobre o Investimento) estimou que o projeto gerou cerca de R$ 20,5 milhões em valor social, a partir de um investimento aproximado de R$ 7 milhões. O estudo apontou que cada R$ 1 investido gerou R$ 2,92 em benefícios sociais, evidenciando o impacto econômico e social da iniciativa nas comunidades rurais atendidas.
Entre os resultados observados, 97% dos produtores relataram satisfação em compartilhar conhecimentos com outros agricultores, 94% passaram a se sentir mais motivados para o trabalho e 91% passaram a enxergar com mais otimismo a possibilidade de viver da própria produção.
Papel da FAPEG
Dentro da estrutura do projeto, a FAPEG atua no apoio à gestão administrativa e financeira das atividades, contribuindo para dar maior agilidade aos processos de contratação, aquisição de insumos e execução das ações em campo.
De acordo com o coordenador do projeto, essa estrutura permite maior flexibilidade operacional para atender às demandas do trabalho junto às comunidades rurais. “A atuação da Fundação facilita a execução das atividades e contribui para dar mais agilidade às aquisições e à gestão dos recursos do projeto”, destaca Rebert Coelho.
Para o diretor-presidente da FAPEG, Luiz Belarmino, a iniciativa demonstra o papel da ciência e da cooperação institucional no desenvolvimento regional. “Quando existe demanda dos produtores, capacidade técnica da pesquisa e parceiros dispostos a investir, projetos como esse mostram como a ciência, a tecnologia e a inovação podem impulsionar transformações sociais e produtivas. O Nordeste tem um potencial enorme, e ações como essa ajudam a conectar conhecimento, investimento e desenvolvimento no território”, afirma.
A experiência também tem despertado interesse em outras regiões do Semiárido brasileiro. Segundo o pesquisador, o modelo adotado no Projeto Lagos do São Francisco já vem sendo replicado em diferentes territórios, justamente por combinar transferência de tecnologia, assistência técnica e acesso a recursos que permitem aos produtores implementar as inovações em suas propriedades.
Com a nova etapa, a expectativa é ampliar o alcance das ações e consolidar o projeto como uma referência nacional em iniciativas que integram pesquisa científica, desenvolvimento rural e sustentabilidade no Semiárido brasileiro.

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